Discursos da ONU 2025: visão brasileira vs visão americana — o que está em jogo para o Brasil e para o mundo?

Tempo de leitura: 5 min

Escrito por Eduardo Ferreira da Silva
em 23/09/2025

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Antes de mudar o mundo, dê três voltas dentro de casa.”

(Atribuída popularmente ao provérbio chinês, mas também aparece em outras culturas orais).

Essa frase me veio à mente ao ouvir os discursos na Assembleia Geral da ONU. Lula, defendendo o multilateralismo, cobrando justiça climática e inclusão social. Trump, questionando o aquecimento global, criticando tarifas e exaltando fronteiras. Dois líderes, dois mundos — ou talvez, duas casas em conflito.

Mas o que essa frase tem a ver com geopolítica?

Tudo.

Antes de falar de paz entre nações, precisamos olhar para dentro: a falta de paz começa dentro das nossas casas. Famílias divididas por ideologias, amigos rompidos por narrativas extremas, vizinhos que não se falam por divergências que nem compreendem. É difícil falar de justiça climática ou liberdade religiosa quando ainda não conseguimos respeitar quem pensa diferente sob o mesmo teto.

Acredito que ideologia, quando cega, vira um ruído que nos afasta do essencial: que é construir uma comunidade com base em graça, humildade e identidade compartilhada. E isso vale tanto para as Nações Unidas quanto para a nossa família ao redor da mesa.

O que se esperava da ONU — e o que ela se tornou?

Criada em 1945, após os horrores da Segunda Guerra Mundial, a Organização das Nações Unidas nasceu com a missão de garantir a paz, a segurança e os direitos humanos no mundo. Quase 80 anos depois, o que ainda esperamos dela?

Esperamos mediação onde há guerra, acolhimento onde há desespero, transparência onde há interesses. Mas assistimos, muitas vezes, à paralisia diplomática, à retórica desconectada da prática e à constante tensão entre o ideal coletivo e os interesses nacionais.

A verdade é que a ONU reflete o mundo que somos. E talvez essa seja sua maior limitação — e também sua maior virtude. Ela mostra que ainda não conseguimos, como humanidade, dar três voltas dentro de casa.

Clima, verdade e responsabilidade compartilhada

Lula fala em justiça climática. Trump diz que a mudança climática é “a maior mentira já contada”. Dois extremos, duas narrativas. Qual é a verdade? E mais importante: quem é responsável?

Negar a crise ambiental não muda os dados. Mas transformar o debate climático em um ringue ideológico é desperdiçar o tempo que nos resta. Será que chamar de mentira não aumenta o risco real?

A dúvida é legítima, mas a ação precisa ser proporcional ao risco. E é aqui, fazendo uma analogia ao efeito borboleta:

Onde uma escolha local — economizar energia, reduzir desperdício, votar com consciência — pode influenciar sistemas inteiros. Ignorar essa responsabilidade é como dizer que o bater de asas não importa, quando já estamos no meio de furacões.

 

Fronteiras e a casa em que ninguém quer ficar

Uma das partes mais tensas dos discursos foi sobre migração e fronteiras. De um lado, o discurso da liberdade, da dignidade humana, da cooperação internacional. De outro, a construção de muros, tarifas, deportações, e acusações sobre invasão e desordem.

Mas fica a pergunta que ecoa:

Por que as pessoas querem sair do seu país de origem?

Ninguém abandona o próprio lar porque quer. Quem decide cruzar fronteiras ilegais, muitas vezes, está fugindo de violência, fome, colapso institucional ou simplesmente buscando uma chance de viver com dignidade.

É aqui que a frase “Antes de mudar o mundo, dê três voltas dentro de casa” volta com força. Será que estamos cuidando da nossa casa? E mais: será que nossos governos estão cuidando da casa de quem precisa de ajuda — e não de mais repressão?

A migração em massa é o sintoma, não a causa. Quando um sistema falha — seja econômico, social ou ambiental — as pessoas se movem. Não por escolha, mas por necessidade.

Trancar a porta sem olhar a origem do incêndio não é solução — é negação.

Energia, petróleo e responsabilidade internacional: promessas versus realidade

Nos discursos recentes, Trump insistiu em acelerar a produção de combustíveis fósseis, relaxar regulações, abrir leilões para exploração e pedir ajuda a bancos internacionais para financiar projetos de petróleo e gás. Reuters+4Climate Power+4Financial Times+4

Lula, por sua vez, reforçou a exploração do pré-sal como vetor de desenvolvimento nacional, autonomia energética e geração de riqueza, mas alerta também sobre sanções injustas e sobre a necessidade de políticas que equilibrem exploração com sustentabilidade. Wikipédia+2IstoÉ Dinheiro+2

Aqui está a contradição: enquanto Trump promete “ajudar países a crescerem” com petróleo e gás, ele também desafia os compromissos climáticos globais (como o Acordo de Paris) e considera as mudanças climáticas uma fábula. Isso cria duplo papel: promover crescimento econômico imediato, mas aumentar riscos a longo prazo. Reuters+3Reuters+3The Washington Post+3

Lula defende o pré-sal como alicerce de crescimento, com dados da ANP mostrando que o pré-sal já responde por mais da metade da produção nacional de óleo e gás no Brasil. Wikipédia Porém, permanece o desafio: garantir que essa produção dure, que respeite meio ambiente e que não sacrifique direitos humanos em nome do crescimento.

Estatísticas Recentes

  • Em agosto de 2025, pela primeira vez, energia solar + eólica superaram 33% da geração elétrica do Brasil — cerca de 34%, com 19 TWh gerados. (AP News)
  • Em 2024, 90% da eletricidade brasileira veio de fontes de baixo carbono. (ember-energy.org)
  • Estudo “Flexible nuclear power and fluctuating renewables?” mostra que até que os custos de construção nuclear caiam e prazos de implantação sejam menores (menor que 10 anos), a participação eficiente da nuclear em sistemas completamente descarbonizados pode ficar em torno de 10% da geração. (arXiv)
  • Dados do Brasil mostram que o pré‑sal já responde por mais de metade da produção nacional de óleo e gás ativo, implicando peso grande em crescimento econômico, mas também riscos ambientais e regulatórios. Há custos de construção, manutenção, riscos de vazamentos e impactos de uso do solo, biodiversidade e emissão indireta que não sempre são considerados nos discursos. (Wikipedia)

Por isso acredito que vale a pena investir em nuclear como parte de uma matriz diversificada, especialmente para garantir estabilidade e segurança energética. Mas não como única solução.

Renováveis mostram avanços rápidos: solar + eólica já ultrapassaram 34% da geração em um mês recente, com 90% da eletricidade vinda de baixo carbono em 2024 no Brasil.

Nuclear tem seu espaço, especialmente em carga base e momentos de crise. Porém, enfrentamos custos altos de implantação, longo prazo para construção, desafios regulatórios e ambientais (resíduos, uso de terra, segurança) — o estudo “Flexible nuclear power…” indica participação eficiente de ~10% nos cenários mais favoráveis. (arXiv)

Para o Brasil: ideal mesclar. Usar renováveis para a maior parte da demanda, nuclear para base ou emergências; haver política ambiental sólida; regulação clara; incentivos para decarbonização; internalizar custos ambientais nas decisões.

PERSPECTIVAS DE LUCROS E OS RISCOS DO NEGÓCIO 

 

E descubra como entender e o que escolher, visão das estratégias. Com informação, atualização, qualificação com o conhecimento mais profundo possível. Vamos tentar responder até que ponto as análises indicam a verdade futura. Potencializar resultados e minimizar riscos. Os primeiros passos e as melhores análises estratégicas para ter mais agilidade e menos riscos 

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